quinta-feira, 9 de março de 2017

"Sim, há pessoas razoáveis no mundo"


         Nem ouso escrever nada sobre meu treino, deixo tudo por conta da minha amiga Edith Gondin. Ela é mãe de um rapaz, uma mocinha e um guri. É procuradora do Estado de Santa Catarina, canta na noite, ou melhor, se apresenta, veleja, nada, pedala, corre... E haja correria pra tanta coisa. Com vocês, Edith.

         Semana da mulher... algumas vezes achei que isso já era coisa ultrapassada, do tipo “agora chega né, somos todos iguais já”. Mas recentemente vi que ainda é necessário... infelizmente!

            Minha trajetória no triátlon começou faz 30 anos, quando conheci a Dona Naida Freitas, sempre confundida como minha mãe nas provas – primeiras provas de triátlon aqui em santa catarina e nos estados vizinhos. Ela também competia, então as pessoas deviam achar que ela era o exemplo seguido pela “filha” Edith, pois eu estava sempre grudada nela querendo ouvi-la.

À direita, com as amigas Cris e Ivone
         Então vejam só como as coisas são curiosas na vida. Uma vez um passarinho maledicente me disse que eu deveria treinar menos e dar mais atenção aos meus 3 filhos. Por um tempo fiquei pensando a respeito e, lógico, com culpa. Depois me lembrei de tudo que já passei e das pessoas que serviram de bom exemplo para mim e então concluí o obvio: ao treinar eu estou dando atenção aos meus filhos sim; ensinando-lhes a ter garra, persistência, ética, sabedoria, limites! Tudo isso em apenas algumas horas de treino!!! Ai, ai, quantos pais não conseguem ensinar nada disso em anos!? É assim que vejo o triátlon! Um ensinamento constante e sempre tem mais a cada dia. Eu ainda não sei trocar meu pneu, por exemplo. 

Fazendo selfie com a galera da Iromind
         Como iniciei ainda solteira, tive que interromper os treinos e voltar do zero por 3 vezes. Foram 3 cesarianas e amamentação até um ano de idade de cada um deles! Afinal, após já ter alguma experiência no triátlon eu sabia bem o que era persistir, querer resultado e naquele momento eu queria filhos fortes, saudáveis, para em seguida eu retomar os “ensinamentos” práticos que o retorno aos treinos invariavelmente nos dão às duras penas!

Hoje, se alguém me pergunta como dou conta, respondo que o triátlon faz parte da educação das crianças, eu preferi o exemplo prático. Foi uma escolha. Também faz parte de uma terapia para eu melhorar meu  desempenho no trabalho, tenho mais disposição, menos dores na coluna, mais vivacidade para enfrentar serviços enfadonhos e grotescos que não raro nos são jogados nas mesas de trabalho. Mas é lógico que eu não faria tudo isso sozinha: tenho amigos e parte da família que me apoia. Sim, há pessoas razoáveis no mundo!
 
Ainda sobra um tempinho pra velejar

TREINO DO DIA 09 DE MARÇOD E 2017

Hoje tive apenas natação ao meio-dia, toda quinta é assim. Fizemos 750 metros de aquecimento e series de 8x de 25, 8x de 50 e 8x de 75, todas com palmar, o que garante sempre uma força além do normal, tal como é costumeiramente o treino do Roberto lemos... “além do normal”. Era para ser treino leve, mas nunca é assim com este técnico. Gosto dele.

Ele disse hoje, como em outros treinos, que era somente para a gente nadar na posição”. Mas nunca é bem assim quando ouço a largada da serie e parece que não sou apenas eu... minhas companheiras também se esmeram, afinal não estou (nem elas) ali para brincadeiras, apesar de saírem umas boas risadas de vez em quando.

Acordei hoje as 6hs e tomei café mas voltei para a cama após despachar a gurizada – em duas etapas - para escola (Jesus abençoado! Hj não tinha ciclismo de manha cedo!!!).

No dia anterior havia bebido algo de vinho a mais que o “indicado”, já que em todas as quartas a noite recepciono em minha casa um sarau de musicoterapia que vai até as 23hs. Acordei novamente as 9hs para trabalhar e antes de sair de casa para a natação tomei minha capsula Pré-treino devidamente indicada pela Nutri. Comi apenas algumas castanhas antes de sair de casa porque de manha meu café foi mais calórico do que o devido: café preto com palatinose e uma grande fatia de bolo de fécula de batata com geleia de damasco (afe! Como é bom... minha mãe fez).

Durante o treino desisti de levar garrafinhas com agua, suco e palatinose... simplesmente não consigo ingerir nada durante treino de natação. Hoje então foi sem nada mesmo, nem água. Após o treino meu corpo pediu proteínas e então comi carnes (frango e carne de boi) com chuchu e repolho. Nada mais. E acabei de me lembrar que esqueci de tomar minha capsula pós-treino (afe!).

Mantenho dieta relativamente balanceada com suplementação. pois para manter o pique sem desmaiar de cansada durante o trabalho ou a lida com as 3 crianças que cuido sozinha tenho que ter foco, disciplina e uma ajudinha prática também, senão não dá mesmo. As capsulas são formulações pessoais de princípios naturais como chá verde, guaraná, vitaminas e minerais e algumas substancias como quercetina e niacina. Tem ajudado, faço exames regulares de sangue e sempre com bons resultados, e me sinto sempre bem e disposta para cumprir a planilha e cuidar do resto da vida.

Enfim, hoje treino bom, tranquilo, não foi o pior deles mas também não foi para fazer rindo à toa. Sempre saio muito cansada da piscina e hoje não foi diferente. Mas é um cansaço bom, regenerativo, estimulante, desafiador.

Ah! Quase me esqueço: entrei na água com dores musculares advindas de agachamentos de quarta pela manha (sim, tenho posterior de coxa bem fraca) e sai do treino já um pouco melhor; esta é a magia do triátlon.


Bem-vindos ao triatlon na modalidade “expectativa”, ou podemos chamar também “performance”... como queiram! Adoro!

Canta muito, essa "muié"

O menino da foto agora é um rapaz


Resumo do meu treino

Bike: 
1h10 (no rolo porque a chuva não deu moleza)
20' giro moderado progressivo incluindo 5 sprints de 30" a 110 RPM
4x4' big gear c/60rpm c/2' moderado
2x6' carga média a 80% aumentando a cadência a cada 2'
10' giro moderado

Natação:
750m de aqueciento
8x25m
8x50m
8x100m
100m livre pra soltar

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mulher forte só treme mesmo na largada de uma prova

Juju finalizando o Power Man
         No dia internacional da mulher, deixo meu treino em segundo plano. Farei apenas um resumo dele lá embaixo. Sem mais delongas, abro espaço para que a triatleta homenageada assuma o comando do blog.

        Meu nome é Juanita Agostini, mas os amigos me chamam de Juju. Acabei de fazer 40 anos. Sou assessora jurídica no Tribunal de Justiça e nas horas de folga cuido da casa, curto a família e os amigos, passeio com meu cachorrinho, viajo, leio e assisto filmes. E gosto muito de praticar esportes. Sempre fui ativa. Em 2003 participei da minha primeira corrida de rua. Dez anos depois eu tava comprando uma Road, e quando me dei conta já estava nadando no mar, que é onde mais tenho dificuldade. Atualmente também faço aula de dança, pra me dar alongamento, e musculação duas vezes por semana. Eventualmente brinco de surfar de bodyboard, um prazer que retomei depois de anos. Não sou rígida em relação à alimentação, gosto de comer tudo em poucas quantidades e mais vezes ao longo do dia, e tento variar o cardápio pra mudar os nutrientes, escutando a vontade do meu corpo. Esse foi o jeito de evitar comer sempre a mesma coisa. Aprendi que comer é um dos melhores prazeres da vida. Assim, faço restrições, mas não me culpo se tiver com vontade de comer  um pudim no fim de semana, um pastel depois de um treino em São Bonifácio ou tomar uma taça de vinho à noite.

Na montanha pra São Bonifácio - pode comer pastel, pode
         O que mais me fascina no triathlon é a garra e disciplina dos colegas. Conheci pessoas incríveis, aprendi muito nas amizades e hoje sou muito feliz de conviver e compartilhar experiências com essa turma. É pura diversão quando treinamos juntos e inspiração pros momentos que preciso seguir sozinha. Essa semana os meus treinos estão com menos volume porque vou fazer o short Triathlon de Garopaba no domingo. Complemento esse preparo com massagem e acupuntura, e tenho acompanhamento de uma endocrinologista e uma cardiologista. Ah, prezo muito por boas noites de sono pra repor a energia.

Foto do treino de hoje - exclusiva para o blog 
         Meu dia hoje começou assim: ao acordar às 6h, tomei suco de um limão espremido com um pouco de água em jejum. Depois de uns minutos, uma xícara generosa de café com canela e um pinguinho de leite zero lactose com uma colherzinha de óleo de coco. Antes do treino, gosto de comer uma fruta. E hoje foi uma banana com pasta de macadâmia. Também gosto de maçã, kiwi e pitaya, que não deixam o estômago pesado. Saí pra correr antes das oito horas. O clima já estava quente e úmido. Os primeiros 3km foram progressivos pra aquecer, e encontrei um amigo de equipe que me puxou. Depois seguimos 1km leve, 1km moderado e 1km forte com dois minutos de descanso. Passei pela tradicional turma da Ironmind e saudei a minha amiga “Deusa da Raça”, Márcia Almeida, que acenou alegre pelo encontro. Finalizei com 2km regressivo. Após o treino tomei um copo de água de coco com BCAA e colágeno em pó.


         Quando a corrida é longa, ou tem natação junta (e hoje o mar estava uma piscina), dependendo da fome arrisco dois ovos mexidos depois ou uma paçoca com whey isolado ou uma fatia de pão com cottage. Se tiver muito calor, faço um suco de couve com pepino e gengibre pra refrescar. Gosto de variar. Me aprontei rapidinho e fui pra uma sessão de massagem antes do trabalho. Na marmita do almoço, hoje levei salada de rúcula e pepino, aipim cozido e frango. No meio da tarde, um iogurte, uma maçã, castanhas (às vezes damasco) ou tâmaras com nozes. À noite ainda tem musculação, sem exagero, afinal no dia seguinte tem mais. Encerro esse relato com um abraço apertado em todas as mulheres, não só pela data de hoje, mas pelo exemplo de força e beleza. E reproduzo a frase que ouvi de uma amiga pela manhã: “Mulheres lindas, fortes, bem resolvidas...temos coragem pra mudar o mundo, mas às vezes trememos diante da buzina de uma largada de prova. Kkkkk



          Aí você fica sabendo porque Juju foi quinta colocada geral feminino no ranking da Fetrisc em 2016. Não tem moleza com essas mulheres, não. Parabéns, mulheres tri. E depois de tudo isso, resta-me fazer um resumo do meu treino de hoje, que foi bem de boa por se a semana de supercompensação.

Resumo do treino

Aquecimento na bike (rolo): 45 - aproveitei pra o ver o filme Zé do Pedal.
1,5km de trote com educativos de corrida
12km de corrida – 3 séries de 4km. Primeiro em Z1 e os outros em Z3.
3km de caminhada pra desaquecimento

  

terça-feira, 7 de março de 2017

Márcia Almeida é exemplo de mulher triatleta

Márcia completando o Ironman Floripa 2016
   Continuando a semana internacional da mulher, no treino de hoje abro espaço pra outra triatleta que está representando a turma feminina. E será assim até domingo. Meu treino vai lá pra o final do post. Primeiro elas. Dessa vez, quem está abrilhantando o blog é minha amiga Márcia, a quem o Fernando Guimarães (da Iromind) apelida de Deusa da Raça. Casada, 45 anos, mãe de três filhos e auditora fiscal da Receita Federal, Márcia Almeida precisa mesmo de muita raça pra fazer triathlon e ainda por cima subir ao pódio na maioria das competições que participa. Vou deixar, entretanto, que ela mesma conte mais a seu respeito e do treino que fez hoje. Pronto, dona Márcia, o blog é seu:
Márcia comigo hoje no treino de natação
         Tive a sorte de começar no triathlon tendo Roberto Lemos (treinador da Iromind) como técnico em outubro de 2012. Antes,  já nadava e corria. Comecei a nadar em 2006, dois anos após me mudar do Rio de Janeiro pra Floripa. Meu marido participava de provas de maratona aquática e, para acompanhá-lo, passei a nadar. Eu ia assistir as provas e fiquei super animada de participar também. Entrei para a corrida em 2009, e dois anos depois fiz a Maratona de Porto Alegre e a de Floripa. A partir dali, comecei a flertar com o triathlon. Me lesionava demais na corrida e achei que, fazendo as três modalidade juntas, talvez diminuísse a intensidade da corrida e viesse  a sofrer menos lesões. Acho que deu certo. Treino todos os dias. Adoro a rotina, disciplina, paciência e organização que o triathlon demanda. Cai como uma luva para mim. Meus objetivos no triathlon em 2017: Iroman Floripa e três Meio Iron – Caiobá, Rio de Janeiro e Challenge Floripa -, além do circuito de provas da Fetrisc (Federação de Triathlon de Santa Catarina).

Pedal no rolo assistindo a Netflix fica fácil, né?
         Meu treino hoje começou às 6h15, com treino de Vo2 na bike. Treino curto, mas intenso, feito no rolo. Assistindo a Netflix fica fácil. Depois fui pra academia fazer um trabalho de reforço muscular. Ao meio dia, uma seção forte na piscina do Paula Ramos – 600m aquecendo, mais 6x25m, mais 8x200m. Depois dessa brincadeira, almoço e trabalho. Ah, e mais tarde, já em casa, rola um funcional – varrer casa, lavar louça, roupa, fazer janta e por aí vai. Tudo conforme a planilha do Roberto. Rsrsrs. Sobre minha alimentação de hoje: às 5h45, café da manhã  (sempre o mesmo todo dia). Já viu que não me incomodo em fazer a mesma coisa todo dia, né?  Café preto batido no liquidificador com óleo de coco mais dois ovos mexidos. Sempre acompanhado de ômega 3. No pré-treino: 200ml de água com palatinose e beta alanina. Pós-treino de musculação: whey isolado com waxy maize, beta alanina e glutamina.  Pré-treino de natação: banana com pasta de amendoim. Pós-natação: almoço – hoje foi peito de frango com salada e batata doce. Em treinos longos de corrida e bike, além do pré-treino de hoje levo gel de carboidrato para tomar a cada uma hora e garrafinha com accelerade (só na bike).

Academia pra reforçar a musculatura
 
Com a família

Treino de transição aos sábados em Jurerê

Com o Pte da Fetrisc recebendo o  troféu 

         Aí, mô filho, você fica sabendo porque a Márcia foi terceira colocada geral feminino no ranking da Fetrisc em 2016. Como diz meu amigo Pina, “treinar funciona”. Aproveito pra fazer um resumo do meu treino de hoje.

Resumo do treino

Ciclismo
Distância: 40km
Tempo: 1h19
Ritmo: 30,5km/h
Subida: 228m
Descida: 257m

Natação
300m aquecendo
8x25m

6x250m

segunda-feira, 6 de março de 2017

Triatleta concilia treinos, família e casa

         

         
         Iniciando uma semana de supercompensação, onde a intensidade e o volume dos treinos caem para que o corpo assimile o esforço feito nas últimas quatro, hoje eu tinha 12k de boa. Não pretendia, porém, iniciar a corrida às 10h40. A turma contratada pra fazer manutenção no CT chegou por volta das 8h e, sabe como é sítio, tive que passar as coordenadas e até botar a mão na massa. Assim sendo, a trabalheira matinal me fez dispensar o aquecimento na bike. Ah, e sabendo que o treino demoraria e seria precedido de serviço braçal, comi três ovos com presunto pra garantir o desempenho. O calor me fez lembrar o sofrimento da última sexta e fui bem moderado. Tanto é que nem precisei de água. Fiz os 12k e caminhei mais 4k. Só depois do banho no riacho é que subi pra tomar dois copos de leite e comer uma maçã. Almoço mesmo que é bom, só às 13h30. Quem correu também foi minha amiga Cris. Além de contar como foi o treino, ela está compartilhando um pouco de sua rotina de triatleta e de seus hábitos alimentares.


Cris depois dos 12k de hoje
         Meu nome é Ana Cristina de Oliveira, tenho 45 anos, casada, dois filhos, psicóloga, canceriana, paulistana residente em Floripa há 13 anos. Desde pequena sempre pratiquei e gostei de esportes. Tênis, natação, balé e esportes aquáticos. Destes últimos sempre gostei muito, pois adoro o mar. A corrida sempre estava presente, mas de uma maneira diferente de hoje. E  logo que mudei para Floripa comecei a correr e participei de algumas provas de rua. Em 2007 comecei a correr com planilhas orientada pelo Roberto Lemos e de lá pra cá foram muitas provas de 10km, 21km e 3 maratonas. Em 2014, descobri uma hérnia de disco na região da lombar, e por orientação médica em conjunto com o treinador, eu iniciei no triatlo. Nessa época também eu conheci a dieta paleolítica e lowcarbhighfat. E começar no triatlo não foi uma tarefa muito fácil porque de bike eu não entendia nada, era totalmente leiga. Já a corrida e a natação eram muito familiares e não tive problemas para me adaptar. O ciclismo foi o desafio. Em dezembro de 2015 fiz minha primeira prova de triatlon. Foi uma glória vencer todos os desafios que é comum nas mulheres triatletas - conciliar treinos, família, casa etc e tal. Nestes anos aprendi muito sobre a dieta paleolítica adotada aos atletas, que é muito interessante, e atualmente eu colho os frutos dessa mudança, tanto física como mental. E a performance melhorou absurdamente.  Nas minhas pesquisas, leituras e receitas descobri no mundo paleo (kkkkk ) o caldo de ossos, que é um excelente recovery. Nao posso deixar de mencionar que há um ano pratico funcional, minha recente paixão.

           Minha alimentação é baseada em comida de verdade – carnes, frango, peixe, ovos, vegetais, legumes e frutas ( de preferência com pouca frutose). Na realidade eu descasco mais e não abro pacotes.  Procuro, sempre que possível, comprar produtos orgânicos. Uso banha de porco para cozinhar, azeite de oliva extravirgem ou a manteiga ghee. Faço alguns exercícios em jejum e como quando estou com fome.Tento comer mais tubérculos a noite, antes dos treinos mais puxados. Meu almoço e jantar sempre têm um tipo de proteína, bastante salada e batata doce. Gosto de fazer receitas paleo que pesquiso. Gosto muito de café com gordura o famoso bullet prof café a prova de balas. Faço o café passado e bato com óleo de coco. Fica cremoso. Ou faço café com leite de coco.


         E agora conto como foi meu treino de hoje. Cheguei às oito horas no La Serena, conforme havia combinado com algumas amigas. Cada uma tinha um treino diferente, mas mesmo assim tentamos correr juntas. Nos quatro quilômetros de aquecimento já comentamos que estava muito quente. O segundo bloco de 4k era 500m forte e 500m fraco. Foi difícil. Sofri pra manter o mesmo ritmo no último bloco. Quando faltava 500m pra fechar o treino, encontrei minha amiga Luciana Magalhães com um a garrafinha de água fresca. Foi maravilhoso. Terminei o treino feliz. Amo esse treino 3x4km. Melhor ainda por estar rodeada das melhores companhias, minhas amigas de treino – Edith Gondin, Ivone Tarini, Janaina Porto Alegre e Luciana Magalhães.

         Ah, Antes de correr ou treinar nos dias de semana, tenho que levar o meu pequeno triatleta na escola. Por isso começo os treinos às oito horas.


Obrigado, Cris, pelo relato. Resta ao paisano aqui fazer o resumo do treino que fiz hoje. By, by.


Resumo do treino

Aquecimento:
2h de serviço de jardinagem no CT
1,5km de trote com educativos (pra lá de repetitivo)

Corrida:
12km de boa (mas não precisava ser no calor)
Tempo: 1h07
Ritmo: 5’36
Cadência: 164
Subida: 64m

Descida: 90m

Desaquecimento: 4k caminhando

domingo, 5 de março de 2017

Um ET pedalou comigo hoje

Gile, Pina e Heverton, pareceria pra lá de boa
          Ao som da Banda do Zé Pretinho, desci a serra pra encontrar meus colegas triatletas que acordam cedíssimo no domingo pra pedalar nas montanhas. A ideia era sair às 6h30, mas sabe como são ideias, né? Primeiro meu amigo Michel Bruggeman enviou um zapzap dizendo pra esperar porque ele estava um pouquito atrasado. E depois, quando cheguei ao posto Serra Mar, encontrei uma penca de pessoas saudáveis e super legais que desde ontem não via. Hahaha. Pronto, lá se vai meia hora de papo. Que Zé Pretinho que nada, quem iria animar a festa seria meu parceiro Pina.  Rafael Pina, pra coisa ficar um pouquinho menos informal. “Zé Pretinho que nada”, sacou? A música do Jorge Ben, mô filho. “A banda do Zé Petinho chegou para animar a festa”, é o que diz a letra. Ah, quem conhece a música conhece, quem não conhece faz de conta que conhece e segue o jogo. Farei, prometo, um resumo do meu longo lá no fim do post. Porque o texto hoje é desse ET chamado Pina. Pra quem não conhece, vou dizer quem é esse cara.

Pina antes do treino de hoje
          Rafael Pina Pereira é manezinho da ilha. Tem, entretanto, um pezinho no Nordeste – o pai é pernambucano. Apesar de eu continuar achando que ele veio de outro planeta. Porque pra ser engenheiro eletricista, casado e pai, e fazer o que esse guri faz no esporte não é pra um reles terráqueo. Hahahahaha. Quando criança fez judô, natação, atletismo e voley. Nunca se acertou, por incrível que pareça, foi com o tal do futebol. “Nunca consegui chutar uma bola”, disse-me hoje enquanto a gente queimava as pernas pedalando pelos Alpes Anitapolenses.  Ao dezesseis anos começou a escalar e só parou porque a universidade falou mais alto. Retornaria, portanto, mais tarde. Mesmo assim, entre uma aula e outra encaixava corrida e natação. Esse menino é de outro planeta, tô dizendo. Vamos fazer o seguinte: Pina vai contar pra gente como foi o treino dele hoje. Depois, por mais sem lógica que pareça, continuarei contando mais a respeito dessa referência do triathlon catarinense. E se eu fosse você, iria até o fim do texto. Hehehe. Fala aí, Pina.

O longo deste domingo saiu num percurso espetacular e que eu não tinha completado ainda. Do posto Serramar, tradicional parada da galera aos domingos, até Anitápolis. Ida e volta, claro. Só que o Gile decidiu aquecer um pouco e seguimos por 10km em direção a São Bonifácio primeiro, pra entrar na subida da BR-282 com os cambitos aquecidos. Como referência é uma coisa  interessante. Eu nunca tinha pedalado aquele trecho da 282 e achava que o trevo pra Rancho Queimado e Anitápolis era “logo ali”. Só  que era bem láaaaaaaa longe – uns quinze quilômetros. E com novecentos metros acima da cabeça. Que pedal legal. Visual excelente e com pouco trânsito às sete da manhã. Mas o calor já dava o ar da graça.

No trevo, rumamos pra terra da Anita (deve ser, imagino), numa estrada perfeita e verticalmente desequilibrada. Visual pra todos os lados espantava o cansaço. Era parreiral, pinheiral, igrejinhas e casas de campo. O Décio, amigo e triatleta que estava com a gente, voltou um pouco antes porque tinha compromisso. E seguimos na descida que era cheia de subidas até a metrópole. Na cidade procuramos um local pra abastecer as caramanholas e achamos uma lanchonete. Os três – Michel, Gile e eu – só com os R$25,00 do Michel pra repor os líquidos evaporados. Uma vez abastecidos, voltamos e encontramos o Lamartine chegando. Lamartine é outro amigo e triatleta da Iromind.

Subi contínuo de volta até a 282, ritmo moderado. Na verdade pedalei moderado o tempo todo, exceto nas subidas mais longas, sempre entre 80 e 90% do FTP. Isso é bastante mas é por pouco tempo. Então a média ficou exatamente onde tinha que ser, a 75%  na zona onde mora o endurance. Na 282, literalmente despencamos até o posto, onde nos reunimos para abastecer novamente. Sorvi um litro de água de coco e meio gatorade antes de dar tchau pra turma e rumar pra casa, já sob o risco de perder o almoço. Foi um baita treino, espetacularmente bonito, difícil como tem que ser e com ótima parceria. Ah, sobre minha alimentação: no pré treino foi uma tapioca gigante de presunto, manteiga e queijo com dois expressos. Durante o treino foram duas medidas de Vo2 (Aproximadamente 100g de carbo), três bisnaguinhas com doce de leite e um gatorade e meio. Quando cheguei em casa tomei meia medida de whey e, meia hora depois, almocei um prato maior que eu com arroz, feijão, carne, farofa e um brócolis inteiro,  com melancia de sobremesa.

Michel, Pina e Eu em Anitápolis
        Voltando ao assunto Pina, ele começou a correr mesmo em 1996, quando se preparava para fazer escaladas em rochas e altas montanhas. A corrida tornou-se, porém, um objetivo e não uma mera coadjuvante. Em 2009 ele veio para o mundo das três modalidades e fez seu primeiro Ironman, concluindo com o tempo de 12h08’. Continuou escalando. Em 2013 conquistou o teto da Europa, o Mont Blanc. Em 2014 correu sua primeira ultra de 100km, a Indomit Costa Esmeralda. E fez mais um monte de palhaçada. Porque isso só pode ser palhaçada. Kkkkk. Em 2015 Pina correu o primeiro Ironman 70.3 no Brasil e conquistou vaga pra o mundial. De lá pra cá foram oito Ironman e um Fodaxman. O Fodaxman merece um capítulo especial, mas como ele já está bem relatado no blog Relatosderesistência, do próprio Pina, basta você acessar daqui mesmo.


Pedalar com esse cara é uma honra pra mim. Referência da Iromind, tanto como atleta como pessoa, Pina está sempre disposto a ajudar os colegas. Por isso não me canso de afirmar que sou fã desse cara. Embora, vale ressaltar, continue achando que ele faz visitas a uma certa nave mãe que pousa todos os meses lá pras bandas de Urubicí. Hahaha. Vlw, parceiro.

Resumo do meu treino
Distância: 123,2km na montanha
Tempo: 4h57
Ritmo: 24,9km/h
Ganho de elevação: 2.130m

Alimentação
Pré treino: 1 copo de café com leite
Durante o treino: 2 bananas, uma maçã’, um gatorade e meio e um torrone de 140g

Pós treino: um torrone, um gatorade e 200ml de água de côco.

sábado, 4 de março de 2017

Fábio Ribeiro, médico e triatleta, conta como foi seu treino de transição hoje

Márcia Almeida e Marcelo Marjoros posando pra o blog  hahaha
         Segundo meu amigo Kybe Nelson, eu não deveria descrever meu treino de transição feito hoje em Jurerê. O motivo? Cheguei atrasado e não fui nadar com a turma das 6h45, que tinha 3.000m pra fazer. Brincadeira dele, claro. Hahahahaha. Fico, entretanto, indignado quando não consigo cumprir com o compromisso assumido. Desculpa aí, Kybe. Na próxima serei mais pontual. Mesmo assim, fiz um baita treino com a galera das 7h. Vou contar em uma linha pra dar espaço pra o meu parceiro Fábio, que está compartilhando o treino dele conosco na sequência. Nadamos vinte minutos, retornamos à praia, fizemos três entradas no mar simulando prova, indo cerca de 200m mar a dentro e retornando, depois fiz outra entrada pra soltar e voltei pra fazer cinquenta minutos de bike no rolo.
 
Com o parceiro Fábio após a natação
         Gente, quem está compartilhando o treino conosco hoje é meu amigo e parceiro Fábio Ribeiro. Esse cara é daqueles que todos querem ter como amigo. Pode ter alguém gentil igual a ele; mais que ele não tem. Médico cardiologista renomado, esportista de vocação e triatleta por teimosia. Sim, porque com a carga horária dele, tem que ser muito teimoso pra fazer provas de Ironman. Essa teimosia, porém, é pra ser mais do que elogiada. Na piscina do Paula Ramos, onde a Ironmind manda seus treinos, Fábio é um exemplo de dedicação e companheirismo. Sempre que pode, passa dicas pra gente melhorar a técnica. E faz, como nenhum outro, os tiros progressivos. Agora, abro o espaço pra ele contar um pouco de si e como foi o treino dele hoje. Bora, Fábio, estás com a palavra.


         Meu nome  nome é Fábio Ribeiro e tenho 53 anos. Desses, os últimos dez foram de dedicação ao triathlon. Antes eu treinava natação e participava, principalmente, de travessias em águas abertas. No esporte das três modalidades fiz provas em vários tipos de distância, mas destaco três de Ironman. Meus melhores tempos em competição foram:
41’ numa corrida de 10km;
4h45’ num Meio Iron e
11h30’ num Ironman


Hoje fiz, junto com minha equipe, a Ironmind, o treino de transição em Jurerê. Minha preparação começou na sexta com uma refeição à noite, por volta das 21h - salada mista, carne e arroz integral. Na ceia, uvas. Bebi apenas água. Hoje acordei às 6h descansado e pronto pra o treino. Preparei meu café da manhã com suco de uva e limão, duas bananas amassadas com aveia, semente de girassol e linhaça dourada. Dois ovos cozidos fizeram o complemento. Sabendo que um treino forte me espera, procuro comer bem sem ficar pesado.
Chegando no La Serena, onde a equipe se reúne, preparei a bike no rolo, o tênis pra correr e segui para a praia, onde ouviria o briefing do treinador Roberto Lemos. Fiz dez minutos nadando pra aquecer. A água estava uma delícia. E assistir o nascer do sol nadando foi ainda melhor. Já aquecido, dei três tiros de entrada e saída no mar simulando uma competição. Pauleira. Após a natação, uma hidratação com isotônicos se fez necessária antes de iniciar o ciclismo indoor.

Hélio, Fábio, Ivone e o Gile antes do treino
         Após 15’de aquecimento na bike, tivemos 5’ em marcha média, ritmo de prova, com cadência de 85rpm seguidos de tiros em giro máximo e marcha leve. Fomos então pra duas séries de quatro tiros de 30”muito fortes em marcha média com 30”de intervalo girando solto. Foi pra matar. Pra finalizar, dez minutos em ritmo de prova girando a 85/90 rpm. Aí precisei me hidratar bem pra seguir com a terceira parte do treino – a corrida. Fiz um progressivo de 5k. Iniciei com um pace de 5’15 e fechei com 4’30, totalizando 25’em 5k. Finalizada a transição, procurei me hidratar bem e comer um carboidrato.  


         Quero agradecer ao Fábio pelas palavras e dizer ao Kybe que seguirei o conselho dele. Por outro motivo, no entanto. Me perdi na marcação do treino no Garmim e fiquei sem o registro da natação. Hahahahaha. Fica pra próxima. By, by. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Calor, calor e mais calor no longo de corrida

Nem precisa legenda, né?
         Quando desci pra tomar meu café com leite, a friagem da noite ainda estava aninhada envolvendo o CT. faz isso aqui, resolve aquilo lá, e quando começo o aquecimento no rolo já são 8h22’. A essas alturas o sol já reinava e seu hálito fazia a temperatura subir a passos largos. Enquanto pedalo, aproveito pra botar as conversas pela internet em dia. Depois procuro um vídeo no youtube e encontro um que me chamou a atenção. Era uma entrevista com a triatleta Ana Lídia Borba. Eu tinha trinta minutos de aquecimento a comecei a assistir quando já passava da metade desse tempo. Uma pena, porque os apresentadores do programam falaram tanto que quando ela começou a contar sua trajetória no triathlon o Garmim indicou que estava na hora de sair pra correr.  Não tem problema, fica pra próxima.


        
         Desço da bike e calço as meias. Olha, se eu tinha que calçar aquelas danadinhas nem precisava aquecer. E o pior foi mais cara do que os tênis. Ou os preços foram equivalentes. Como a gente é iludido por espelhos, como meus antepassados indígenas que acreditavam em tudo que os invasores portugueses diziam. Faço meu trote com alguns educativos de corrida enquanto desço pela estrada de terra que conduz ao circuito de Santa Isabel. Inicio a corrida às 9h10’. Já tava quente pra caramba. Fiz os primeiros 5k num pace abaixo de 5’ e vi que não daria certo. Sem nada pra me hidratar e suando feito tampa de chaleira, quando cheguei no km12 fui obrigado a parar na Escolinha e tomar água. E molhar a cabeça também. Foi um verdadeiro pit stop. Pra retomar foi como empurrar um caminhão ladeira acima. Daí pra frente o pace não baixou mais de 5’. O terreno com algum aclive, pra quem tá sofrendo com o calor, é um aguilhão a mais.

O melhor pão do mundo. hahaha
         No Km16 sou obrigado a fazer outro pit stop. Nos mesmos moldes do primeiro. E me arrastei até o fim do treino. Quase desisti, mas entendi que o mais importante era resistir ao calor e ao cansaço provocado por ele. Puro treino de endurance. No km20, entro por uma estrada de terra, como fiz na sexta passada, e finalizo a peleia próximo a um riacho. Foi o melhor do dia. Que mergulho delicioso. De tênis e tudo. Fico uns dez minutos relaxando e quando saio preciso encarar mais 4,5km de caminhada. Isso começando às 11h15 e com um céu sem nenhuma nuvem. Depois de quinze minutos caminhando e com a fome dizendo pra eu apertar o passo, embora o corpo dissesse que não, encontro o Carro do Veneno. O Carro do Veneno é um veículo de uma panificadora que passa no lugarejo vendendo seus produtos – bolo, cuca, pão e coisas do gênero. Muita farinha branca e açúcar pra deixar o povo mais doente ainda. Mas pra quem tá cansado e faminto como eu estava, um pão doce era quase um banquete. E o vendedor perguntou se eu queria um pão. Eu queria, na verdade, uns dez, mas aceitei de bom grado o que ele me deu. Foi a melhor comida dos últimos dois meses. Hahaha. Daí até chegar em casa foi só alegria. Quando cheguei, porém, matei a sede com um litro de leite gelado. Foi, disparado, meu pior longo da carreira. Amanhã tem longo de natação e tomara estar recuperado pra encarar o mar de Jurerê. Então borá descansar.

Puro veneno
Resumo do treino

30' aquecendo no rolo
1k5km de trote com funcional

Corrida
Distância: 20k
Tempo: 1h48
Pace: 5'19
Ganho de elevação: 317m