terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ô frio da "mulexta"

Café duplo, por favor
         O calorzinho de domingo foi só pra dar uma animada. Acordei hoje cheio de disposição e pronto a bater meu recorde de velocidade média no circuito de Santa Isabel. A planilha dizia que eu deveria socar a bota nos 40km programados pelo coach. Os 130 das seis e meia da manhã disseram, entretanto:  “vai com calma, Gile”. O café com leite teve que ser duplo. Botei a bike na Kombathlon e desci o morro. Como se diz no meu RN, ô frio da mulexta .

Vai sem sol mesmo
       Subi na magrela e já saí acelerando, girando numa cadência alta pra aquecer o esqueleto. Após cinco quilômetros, o danado do sol apareceu todo serelepe. Ainda bem. Fiz o treino sem tomar um gole d’água sequer. A cada quatro quilômetros tinha o retorno num giro de 1800 que fazia a velocidade cair a quase zero. E a retomada, mô filho, é pra moer os cambitos. Nem olhei pra o relógio. Quando o garmim alarmou indicando o fim do treino, parei a bike e verifiquei ter conseguido meu intento – foi minha melhor média de velocidade no circuito. Agora, sim, podia tomar água, tirar os pés da sapatilha e girar de volta   até a possante.

Onde o treino acabou
         Não deu tempo ao recovery no riacho. Compromissos exigiram que me apressasse a descer a serra. Ainda bem que a Supermotathlon faz parte da equipe. Pouco antes das treze horas eu já estava no Paula Ramos pra sofrer na piscina. E me redimir junto ao meu parceiro Hélio. No último sábado, na Travessia do Fuzil, ele foi medalhista em sua categoria. Na hora de divulgar os nomes dos atletas da Iromind que foram ao pódio, esqueci-me de citá-lo. Que mancada, Gile. 

Hélio, sua medalha e Roberto
         Roberto Lemos foi incumbido de entregar a medalha ao veterano enquanto pousavam para a foto do Blog. Desculpa aí, parceiro. Dez minutos depois de começado o treino, enquanto o Rob passava instruções pra os atentos atletas que haviam acabado o aquecimento na piscina, uma senhora pulou dentro d’água com a mesma sutileza que um elefante tem ao entrar numa loja de cristais. Todos pararam, claro. Roberto olhou pra ela com a cara de quem pensa: “tá maluca?”. Não falou nada, no entanto. A risada da turma foi inevitável. Era Juliana, esposa dele. Tá desculpada, né, Rob?

Juliana com o filho Téo  - que mal exemplo, Ju. Sqn hahaha
         Cheguei de volta ao CT às 16h e tratei de tomar duas canecas de way que eu mesmo faço. Não é bem way, mas é o soro do leite. Faço requeijão e guardo o soro pra beber no pós-treino algumas vezes. Depois, almocei e botei a rede nas costas pra descansar o corpitcho. Na janta, pães de queijo com requeijão caseiro foram suficientes pra garantir a pancadaria que terei que encarar no intervalado de corrida amanhã. Nos vemos, então. Fui. 

Hora de botar a rede nas costas e descansar 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Motivação é a chave pra uma boa semana de treinos

Pode ter lugar melhor pra correr, mas não serve pra mim não
         Aproveito a segunda feira pra dormir um pouco mais e só começo meu pedal de aquecimento no rolo por volta das nove horas. Uma aragem vinda do Sul provoca um bailado nas árvores e me diz que é melhor pedalar dentro de casa. Enquanto suo sem sair do lugar na magrela, posso contemplar minha mais recente medalha conquistada – o quarto lugar da Travessia do Fuzil. Deixo pendurada na parede junto com os bonés pra servir de motivação neste início de semana. E se o negócio é motivar, aproveito pra assistir alguns vídeos de triatletas treinando. 
Tudo pronto pra começar o aquecimento
         Vi quatro, pra ser mais claro. Dois de triatletas amadores e dois de Elites. Todos contando o dia a dia de treinamento. Um dos amadores quase me fez chorar. Ainda bem que não vi o vídeo antes de entrar pra o mundo das três modalidades. Não teria embarcado nessa furada. Hahaha. Até agora estou na dúvida se a ideia do rapaz era motivar quem o assiste ou implorar piedade. Chessssssuuuuuuuis! Mas tá valendo, o importante é passar a mensagem. O do campeoníssimo Igor Amorelli, sim, foi uma aula motivacional. Afora a montoeira de suplementos que ele debulha na frente da câmera, que talvez seja bom pra um profissional, o material é de primeira. Enquanto as imagens mostram o campeão do Iroman Brasil 2015, ele passa um recado: “não tem atalho”. Só tem um caminho, mô filho, é treinar, treinar e treinar. Saio pra correr mais animado que nunca.
 
Enquanto pedalo vejo a medalha recém conquistada pendurada na parede
         E como é bom correr em estrada de terra. Melhor ainda se tem subidas. O coach pediu pra eu subir, mas não muito. Fiz o corriqueiro 1,5k até o circuito na base da preparação pra corrida. No asfalto abri o treino cronometrado. Pouco após os dois primeiros quilômetros peguei a estrada de terra ao lado da Igreja Luterana. Aí a subidinha começa. As pedras soltas na encosta do morro deixam o treino mais proveitoso. Preciso cuidar onde piso, me firmar bem sobre os pedregulhos e sentir todas as articulações envolvidas na corrida trabalhando. Isso fortalece, viu.

Pense num aquecimento bom da "mulexta"
         Em certo momento, chego a uma bifurcação e sigo pra o lado que nunca tinha ido antes. A planilha alertava pra correr em Z2, as numa subida com mais de vinte graus de inclinação, gente boa, os batimentos disparam ainda que você apenas trote. No fim da estradinha, chego a uma casa e... pah. Quatro cachorros do tamanho de um rinoceronte, cada, entenderam que eu invadira o território deles e decidem acertar as contas comigo. Quem disse que assistir programas de sobrevivência não ajuda em nada?  Se eu corresse, eles me devorariam, sério.
Levo mordida, mas não deixo de fazer a foto
         Um deles rosnava alucinadamente enquanto se aproximava. Abri os braços pra aumentar meu tamanho, encarei o danado e gritei pra eles irem pra casa. O último da matilha, mais covarde, voltou. E o mais exaltado parou a pouco mais de um metro de mim. Continuei parado encarando-os e mandando irem pra casa. Quando vi que não avançavam mais, comecei a bater em retirada, sempre olhando pra eles e andando de costas. Os moradores da casa certamente estavam na roça. Ufa, foi por pouco. Ao longe, dei um zoom no celular e fiz a foto dos bichos. 
 
Pra deixar o cupim desse jeito tem que ser bom


         Ao fim dos 12k, tirei meus ótimos tênis de R$ 69,90 e caminhei descalço por 1,5km. O sol, que resolveu deixar o dia mais bonito, ainda resistia ao ataque das nuvens de chuva quando cheguei ao CT. O riacho e a hidroginástica estavam melhor do que nunca. Um pedaço de mamão e duas laranjas foram quase um troféu. A segunda é  o dia off de Geovany e ele aproveita pra fazer um churrasco pra diretoria. Hahaha. E fez um cupim que foi de comer ajoelhado. Quatro horas assando. A tarde foi de descanso. E pra não fugir ao tema "Motivação", recebo uma chamada no zapzap vindo do triatleta e amigo Manent, que está treinando forte como nunca e vai arrebentar em 2017. É só pra me dar um abraço e dizer que está acompanhando meus treinos visado o Ironman. Pronto, essa semana só tem a render. Quando resolvi sair pra um trabalho no sítio, olhei pra o céu na direção do sul e tirei meu cavalo da chuva. E que chuva. Amanhã tem mais e eu te conto neste mesmo horário. Vlw.

Lá vem ela

Resumo do treino
Pedal: 40’
Caminhada: 1,5km
Corrida
Distância : 12km
Tempo: 1h10
Pace: 5’50
Ganho de elevação: 291m
Caminhada: 2k (1,5 descalço)

domingo, 5 de fevereiro de 2017

São Bonifácio não é fácil pra ninguém

 
Galera fazendo força na serra
         Quando estacionei a Kombathlon no posto Serra Mar, só vi triatletas da Iromind. Alguns ainda sonolentos, como o Pai da Clarinha, que brigava com uma bomba pra encher o pneu da bike. “Só dormi quatro horas, Gile”, disse entre um bocejo e outro.  Depois da tradicional foto da galera, chegaram outros parceiros que escalariam São Bonifácio conosco. Julinha estava entre eles. Ah, Julinha, ainda bem que estavas lá. Tem um pessoal da Iromind chateado com você, viu. Sei, entretanto, que foi por causa de um mal entendido e por isso saio em tua defesa. Daqui a pouco termino essa história. 
O Pai da Clarinha acordando
         De dois em dois a turma foi pegando a estrada. Esperei pra sair por último. Explico o motivo: nas competições, minha natação não é das melhores e preciso sempre dar um gás no pedal para escalar o pelotão, como se diz na gíria dos ciclistas. Faço isso nos treinos, então, pra fortalecer meu psicológico. Quando passei por Teresópolis, povoado que fica ao pé da Serra, as nuvens ainda se espreguiçavam por cima da vegetação informando que o sol vinha com gosto de gás.
 
Teresópolis, no pé da serra
         Minha planilha dizia que eu só tinha setenta quilômetros hoje. Fui, assim, alcançando os colegas que largaram na frente. Por fim, alcancei Julinha e Miranda no meio de uma subida. Passei por eles numa acelerada de final de montanha. Sempre dou uma sprintada nos últimos duzentos metros de um aclive. Rodolfo nos alcançou e seguimos assim até o fim da peleia. Quem não sabe como faço meus treinos pode achar que eu deixo os colegas chegarem pra depois “dar na cabeça”. Nem de longe, mô filho. É minha maneira de treinar. Interpretações, porém, são livres. E aí volto pra o caso da Julinha.
Julinha acelerou muito hoje na montanha
          Ela foi atleta da Iromind até o fim do ano passado. Em busca de um sonho, e precisando de um treinamento mais específico pra Elite, mudou para a CPH, equipe de Balneário Camboriú onde corre o melhor triatleta do Brasil – Igor Amorelli. Esta semana, Julinha postou em sua página do Facebook: “É, acho que eu realmente não sabia treinar”. Ih, rapaz, teve gente que não gostou e virou a tromba pra menina. Conversei com ela ontem na Praia da Daniela e só confirmei minha interpretação. Nem de longe essa atleta super esforçada e dedicada quis diminuir sua ex- equipe. “Capaz, se eu vou criticar a Iromind e o Roberto”, ponderou.  Acho que estamos tão ocupados em ver defeitos e equívocos no próximo que nosso índice de tolerância está ficando insuportável. Estamos cada vez mais azedos.
 
Irominds que estavam comigo na hora da largada 
Do meio pra o fim do treino o sol prometido pelas nuvens de Teresópolis veio com fé. Quando chegamos, entramos no restaurante do posto pra o tradicional bate-papo. Só a homarada. Uma penca de homens, gente fina. Pena que nem todos ficam pra esses momentos de confraternização. Nem todo mundo gosta de se irmanar. Alguns preferem o isolamento, de olhar de revesgueio pelo retrovisor do carro, de se separar. Outros são chicoteados pelo despótico relógio que não tolera o ócio produtivo. Por volta das onze horas já estava no CT. O cafezinho com leite das seis horas já caducara e o Gile precisava de combustível. Dois copos de leite in natura é melhor do que qualquer Way, mô filho. E se vem acompanhado de uma xícara de caldo de cozido, é quase um doping. E Mais duas laranjas e uma manga? Tu come, viu, Gilead.
 
E a raça que não perde a resenha pós-treino

         Hora do recovery. Banho de rioooooooo. Uma visita de última hora não permitiu que eu passasse mais de uma hora na água cristalina e geladinha da montanha.  Após o almoço, armei a cama no gramado pra dar um coxilo e me proteger do calor que foi forte pela segunda vez em 2017. Depois do cozido rico em costela de gado e de porco, carne charque, coxão duro, linguiças diversas e bacon, além das verduras, o sujeito dorme ainda que não tenha sono. E é bom descansar mesmo porque a  semana promete dureza. Novo ciclo no treinamento vem aí. Mais um degrau a ser subido nesse caminho pauleira que leva ao Ironman Brasil 2017. Que venha, então. 

Recovery

Resumo do treino
Distância: 70km
Tempo: 2h40
Vm: 26,4km/h
Ganho de elevação: 1.290m

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Travessia do Fuzil é treino e competição na manhã de sábado

Galera da Iromind presente ao evento
        Ela bem que poderia ser chamada de “Travessia do Fuzil”. Os organizadores do evento, no entanto, deram-lhe a designação de “Travessia Baía Norte”. Trata-se de uma prova de natação onde os atletas partem da Ilha de Anhatomirim, no município de Governador Celso Ramos, e chegam à praia da Daniela, em Florianópolis. “E porque cargas d’água você chama de Travessia do Fuzil, Gile?”, você deve estar me perguntando.  Porque foi nessa ilha que, em 1894, o marechal Floriano Peixoto ordenou o fuzilamento e enforcamento de seus adversários políticos. Juro a você, quando comecei a prova lembrei-me dessa barbárie cometida pelo milico desequilibrado que chegou ao mais alto cargo da política nacional. Bem, vamos falar do dia, vamos falar de treino, vamos falar da travessia, pois, afinal, ela estava na minha planilha de treino pra hoje.
 
Praia da Daniela hoje, com a ilha de Anhatomirim ao fundo ainda coberta por nuvens
         Ontem eu até pretendia dormir na praia da Daniela, pois não precisaria acordar tão cedo. Ah, mas é duro deixar de dormir com o barulho das águas nas pedras que adornam o leito do riacho atrás da casa aqui no sítio. Vou, não vou, vou... Não vou. Do verbo fiquei. Quando quero acordar muito cedo, tomo bastante água antes de dormir. A bexiga cuida de me despertar. Por via das dúvidas, coloquei o despertador em prontidão como backup. Cinco horas era o programado. Faltando pouco mais de vinte segundos pra o bicho alarmar, a cachorrada se alvoroçou e me acordou primeiro. Nem bexiga, nem celular, os latidores foram mais eficientes.
 
Atletas nadando até a escuna que os levariam à ilha
         Chegamos à Daniela por volta das sete horas e deu tempo pra comer uma omelete acompanhada de café com leite. E corri pra pegar o kit da competição. No meio da tarde, meu amigo Michael Bruggeman perguntou se eu havia participado de uma competição ou de um desafio. Pra mim, caro leitor, se vale medalhe é competição. Chegando, encontrei a galera da Iromind e o clima de descontração rolou solto. Apesar de ser um evento pra nadadores, alguns treinadores de triathlon colocam-na como parte do nosso treino. E, talvez por isso, vamos mais solto, sem responsabilidade. Quem treina sério, entretanto, quer ganhar. Não importa a prova.
 
Os primeiros Irominds na Daniela
         Por volta das 8h30, nadamos até a escuna que nos levaria ao antigo centro de tortura do militar citado no primeiro parágrafo. O lugar é lindo por demais. Tem que ser muito degenerado pra matar pessoas naquele paraíso. Chegando lá, saltamos da embarcação e ficamos na água esperando a largada, que se deu às 9h13, segundo meu Garmim. Após 1h23, e 4.370m nadando, completei a travessia. E cheguei junto com meu amigo Fábio Ribeiro, também da Iromind. As condições do mar foram as melhores. A temperatura da água parecia um sonho. A organização foi impecável, como sempre. Pra coroar o “treino”, um quarto lugar mais do que bem vindo nessa que foi a primeira competição do ano. Puxando um pouquinho de brasa pra minha sardinha: dos atletas da Iromind que fizeram a prova, três foram ao pódio em suas categorias – Lamartine Falleiro, Márcia Almeida e Eu. “Amanhã, vai ser outro dia”, já dizia o poeta. E é dia de longo de bike. Então borá dormir.
Medalhaaaaa



Com o amigo Fábio Ribeiro
Depois da prova, alimento de verdade
 
Com meu amigo Hélio antes do embarque
Resumo do treino

Resumo do treino

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O carro, a cadeira e o sedentário

Tem lugar melhor pra correr?
         Alguns animais sobem em árvores, o homem também. Alguns nadam, o homem também. Alguns correm curtas e longas distâncias, o homem também.  Alguns vicejam no frio intenso, o homem também. Alguns escalam, o homem também. Todos os animais forrageiam, o homem não. Opa, o homem não forrageia? Não mais. Forragear é se deslocar em busca do alimento. E nossos ancestrais faziam isso porque eram nômades. A evolução da humanidade trouxe-nos inegáveis vantagens, isso é óbvio, mas tem nos tornado sedentários doentes e fracos fisicamente.  O carro, por exemplo, é ótimo para que possamos nos deslocar por grandes distâncias no menor tempo possível. Quando, porém, precisamos dele pra ir de uma quadra a outra, ele nos mata aos poucos. O exemplo mais simples, pra mim, é o da cadeira. Acredito que nada é mais prejudicial a nós do que essa coisinha confortável que temos em nossas salas, quartos e até na cozinha. Fomos projetados pra nos deslocarmos. E de forma rápida quando as distâncias são curtas. É nosso comportamento natural. Observe as crianças que não sofreram muito ainda da influência dos adultos letárgicos. Estão sempre correndo, fazendo movimentos bruscos e naturais. A cadeira, no entanto, chama nosso corpo pra relaxar. “Gile, você é contra descansar”? Claro que não, cara pálida, mas pra isso é preciso estar cansado. O problema é que o formato da cadeira causa-nos sérias lesões ao longo do tempo. Observe as sociedades orientais e africanas. Veja que não usam cadeira. Sentam no chão. Passam muito tempo acocoradas. Isso é natural e não machuca. “E o que tem a ver isso com o treino, Gile”, um leitor mais irrequieto pode estar me perguntando. Bora lá, então.
Rolo, o melhor aquecimento pra mim
         Nem preciso dizer que tava frio e garoando quando acordei. Fiz o pedal no rolo dentro de casa pra melhor favorecer o aquecimento. Pouco mais de trinta minutos assistindo vídeos do Youtube. Aí calcei o tênis e saí pra o longo de corrida, que hoje não passou de 14k. Caminhei por 1,5km até o asfalto. Na boa, não alongo. E não alongo porque não vejo que essa prática tenha qualquer eficiência na prevenção de lesões. Prefiro, sempre, movimentos naturais. Enquanto caminho sobre um piso irregular e escorregadio, vou trabalhando toda minha musculatura e parte esquelética. Faço saltitos, acelero e desacelero, troto de costas e de lado, esse tipo de coisa. Chegando ao circuito, ligo o Garmim e começo o treino. Lá pelo terceiro km, encontro um senhor que anda com muita dificuldade usando uma bengala como apoio. Com todo respeito que o ancião merece, ele está no fim da linha. Não consegue mais correr, não consegue mais andar rápido, não consegue nem mais andar usando apenas as próprias pernas. Enquanto animal, acabou pra ele. “Mas a inteligência nos diferencia dos animais, Gile”, vai ter gente me dizendo. Sei disso, mô filho. Ainda bem. Gastamos até o último centavo que temos pra conseguir saúde, caso precisemos, correto? E saúde é o que nos faz caminhar, correr, escalar, nadar, pular... Exercermos nossas habilidades físicas animais. Quando não conseguimos mais correr, perdemos mais da metade de nós mesmos. Quando nem caminhar conseguimos, é triste, mas estamos no fim. “E o que fazer, Gile, já to no desespero”. Pense e estude mais sobre alimentação, sobre hábitos de vida saudáveis, sobre sermos animais completos. Mais do que qualquer outro animal.
 
Não dispenso a caminhada descalço

         Após os 14k moderados, paro no fim do asfalto, tiro os tênis e caminho por 1,5km. A casa pisada em falso, todo o corpo trabalha em busca do reequilíbrio. O contato com a terra libera energia. Os benefícios, gente boa, são inúmeros. E um banho de rio com direito a hidromassagem é o ápice. Acrescente duas bananas e uma manga e a satisfação será plena. Depois de refeito, ovos com bacon e uma xícara de café com leite foram um verdadeiro banquete. Só por volta das 15h é que vamos almoçar. Carne de panela com legumes é o cardápio. A janta é pão de queijo e crepioca. Porque amanhã tem a Travessia Baía Norte, prova de 4km entre a ilha de Anhatomirim e a praia da Daniela. Bora descansar a carcaça.
 
Baita recepção ao chegar em casa
Resumo do treino
Bike no rolo (aquecimento) – 35’
Caminhada de 1,5km em estrada de terra.
14km de corrida de boa
Pace: 5’02”
Ganho de elevação: 228m – porque correr no plano é chato pra caramba

2km caminhando, sendo 1,5km descalço em estrada de terra

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Na lama, só de Mountain Bike

Esperando a garoa dar um tempo
          Esperei a garoa diminuir pra eu iniciar o pedal. Ovos com bacon, queijo e presunto acompanharam meu tradicional café com leite. Precisava matar o tempo antes de pegar a estrada enlameada. MTB é isso. Por increça que parível, fui obrigado a usar roupa de frio – segunda pele e pernito. Era pra ser verão, é isso, produção? Sapatilha novaaaaaa. Com certo pesar, aposentei a modelo Oxer que comprara em 2014, quando iniciei no mundo das bikes. Era, à época, o modelo mais barato que encontrei. Pense num produto de altíssima qualidade. Antes de fazer triathlon, pedalava de MTB ao menos quatro vezes por semana. E a danadinha aguentou o tranco. 

Sapatilha nooooova
          Agora, com o solado feito a boca da gente quando vai ao dentista, fui obrigado a adquirir novo pisante. “Se é tão bom, deve ter comprado da mesma marca”, vai dizer um triatleta high tech. Não, mô filho, aproveitei uma boa ocasião e peguei uma de marca mais conceituada no meio dos bikers. Duvido, entretanto, que seja melhor. Porque não me engano com essas porcariadas que se vende a um preço exorbitante como se fossem banhadas a ouro.
 
Na lama, só de MTB
         Por volta das nove horas, a chuvinha teimosa desistiu de me molhar e aproveitei. Assim como terça, fiz o que eu chamo de Volta do Loefelsheidt. É mais ou menos assim: desço até o circuito de Santa Isabel, pego uma estradinha de terra e vou até o pé do morro que leva à comunidade chamada Loefelsheidt. Aí, gente boa, é só subida. A inclinação fica sempre na casa dos vinte graus. Um pouco mais, um pouco menos depende do trecho. Do Loefel até Lurdes – outro povoado de Águas Mornas – é só descida. E com a estrada encharcada o pedal fica bem nervoso. Um vacilo é queda na certa. E tudo que não quero é cair. De Lurdes, sigo na direção da Primeira Linha – outra comunidade do município. Sempre subindo. De lá, pego outro morro duríssimo até chegar à Segunda Linha. A inclinação, dessa vez, passa dos vinte graus em grande parte da subida. Passando a Segunda Linha, pego mais um morro até o alto da serra e desço até o CT.
No alto do Loefelsheidt
          Faltam vinte minutos pra o meio dia quando subo na Supermotathlon e pego a estrada pra Floripa. Fiz um almoço pela metade. A outra, faria na volta.  Ao chegar à Palhoça, a temperatura é outra. O casaco que envergo começa a ser incômodo. Após o treino de natação, já voltando pra o sítio, prefiro uma camiseta. Os termômetros de rua passavam dos trinta graus. Preciso de apenas cinquenta minutos pra chegar em casa. Sem grandes estardalhaços, guiando sempre na casa dos 80km/h. A grande vantagem de duas rodas motorizadas é que não fica presa nos engarrafamentos. E se eu te contar que enquanto escrevo esse post a chuva voltou com força? Tomara que amanhã, no longo de corrida, o sol retorne. Tô quase virando sapo. Ui. 

Com segunda pele e pernito pra aguentar a friaca

Resumo do treino de bike
Distância: 25,5km
Tempo: 1h45’
Vm: 14,5km/h
Ganho de elevação: 796m

Natação 
2000m bem de boa porque sábado tem a Travessia da Daniela - 4.000m

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Quer fortalecer os pés? Passe mais tempo descalço

Depois da corrida, tiro os tênis pra caminhar na estrada de terra
         Tenho que confessar uma coisa: estou com saudade do verão. Se não me engano, aqui no sítio ele caiu no dia 07/01. E esta semana de outono está sendo chuvosa pra caramba. Tive, mais uma vez, que fazer o aquecimento no rolo fixo dentro de casa hoje. O aguaceiro da manhã não foi nada convidativo pra sair da cama.  Acordei, pela primeira vez em 2017, com fome. Antes de pedalar, comi ovos com bacon, queijo e presunto. E sei o motivo dessa fome. Minha última refeição ontem foi pão de queijo. Carboidrato, gente fina, é fome na certa. Sabendo que a semana é de treino leve, fiz pouco mais de vinte minutos de giro na bike. Tempo pra assistir dois vídeos curtos sobre tênis de corrida. Em um deles, o carinha falava bem a beça do tênis que comprei por R$ 70,00.
 
Youtube bombando na hora do rolo
         A corrida hoje era de 9km. Três séries tranquilas de três quilômetros cada. Um Km em Z1, o segundo em Z2 e o terceiro em Z3. Todofeio e Coqueluche não me incomodaram. Certamente o dono os deixou presos. Ah, cachorrinhos nervosos. Devem ser bem sedentários, porque odeiam quem faz atividade física. Se eu passo de bike, eles incomodam. Se passo correndo, a mesma coisa. Ao menos a chuva deu uma trégua durante o treino. Concluído, tiro os tênis e faço minha caminhada descalço por 2km. Quanto mais estudo, mais entendo que a melhor maneira de fortalecer os pés é andando descalço.

Descalço pra fortalecer os pés
         Tenho pensado que um dos motivos de eu não ter lesões na corrida é devido a minha infância sem nada nos pés. Hoje em dia, um dos primeiros presentes que a criança recebe é um tênis. De tanto proteger os pés, eles ficam fracos. Quando estava indo pra o riacho, escorreguei na grama molhada e quase caí. É isso, pensei, sem calçados cheios de antiderrapantes desenvolvemos mais o equilíbrio. Tenho andado o maior tempo possível descalço.
 
Comitê de recepção

         Quando cheguei, fui recebido na porteira por Maluko, Paffa e Feiona. Um banho no rio e uma sessão de hidromassagem vieram a calhar. Não tem recovery melhor, mô filho. O resto do dia foi de muita chuva e não me permitiu os funcionais ao ar livre. Exercícios usando a bola de pilates, borrachinhas e o peso do corpo foram a alternativa que encontrei. Se essa chuva continuar, amanhã tem MTB outra vez. Vamos esperar pra ver.
 
Resumo do treino
Bike no rolo: 22'
Corrida de 9km em 46'
2km de caminhada descalço